Na palestra “Hotelaria do Futuro: como crescer sem perder a alma”, mediada por Danisa Virmond Schürmann, os empresários Chieko Aoki, presidente da Blue Tree Hotels, e Beto Caputo, CEO da Atrio Hotel Management, debateram o desafio de integrar os avanços tecnológicos sem descaracterizar o acolhimento essencial da hospitalidade. O painel destacou que o crescimento sustentável e a competitividade do setor dependem do equilíbrio entre eficiência digital, valorização do “chão de fábrica” e preservação do calor humano no atendimento, reforçando a premissa de que a evolução operacional só gera resultados quando mantém a centralidade nas pessoas.
A centralidade do fator humano e o combate às burocracias operacionais surgiram como premissas fundamentais para evitar a perda da essência dos empreendimentos em fases de expansão. Alinhando tecnologia à valorização das equipes de ponta, Chieko Aoki enfatizou que automações não substituem a sensibilidade e o treinamento da alma, afirmando que “tecnologia não faz milagre! Use sua capacidade criativa para ver como essa tecnologia seja mais viável para todo mundo”. A executiva reforçou ainda que o diferencial competitivo do país reside no afeto das relações: “O que a gente não pode perder é a característica do brasileiro, que é um povo muito acolhedor”.
Sob a ótica da gestão estratégica e da integração de dados, Beto Caputo pontuou o papel da inteligência artificial como uma ferramenta democrática de alavancagem para redes e hotéis independentes, desde que orientada ao cliente. Ao tratar dos projetos de inovação dentro da gestão corporativa, Caputo pontuou que “os projetos de IA têm que ser feitos pelas pessoas que dominam suas funções (champions), com o apoio dos TIs”, ressaltando a necessidade de priorizar a experiência do usuário, a geração de margem e o saneamento das bases de dados antes de implementar qualquer automação no fluxo operacional.
Ao sintetizar as transformações do setor, a mediadora e consultora Danisa Virmond Schürmann reafirmou a importância de equilibrar tecnologia, consciência executiva e performance para manter viva a identidade do negócio. O painel concluiu que, embora a transformação digital reduza fricções na jornada do hóspede e otimize rotinas burocráticas, a perpetuidade e o valor das marcas hoteleiras permanecem enraizados na cultura organizacional e na capacidade dos líderes de inspirar suas equipes, pois grandes negócios no setor de serviços continuam sendo feitos, essencialmente, de pessoa para pessoa.
