
Painel no 37º Encatho & Exprotel mostrou como preparo das equipes e acessibilidade atitudinal podem ampliar o acesso ao lazer e gerar novas oportunidades para os hotéis
Pessoas com deficiência, autistas e suas famílias querem viajar, mas ainda encontram barreiras que as afastam dos hotéis e destinos turísticos. Essa demanda ainda pouco atendida esteve no centro do painel “O hóspede que a hotelaria não está vendo: acessibilidade, autismo e o mercado que pode transformar seu hotel”, realizado durante o 37º Encatho & Exprotel.
Participaram do debate Sheila Fátima Petri, executiva com mais de 30 anos de experiência em hotelaria, e Amanda Ribeiro, especialista em inclusão, autismo e turismo acessível, com mediação de Patricia Marego Pacheco, executiva de Recursos Humanos.
Para Sheila, um dos principais obstáculos não está nas características do hóspede, mas na falta de preparo dos estabelecimentos para recebê-lo. “O problema não é o hóspede, é a falta de preparo. O lazer, para nós, famílias atípicas, é tão importante quanto a alimentação”, afirmou.
Amanda reforçou que a falta de acessibilidade ainda impede muitas pessoas de viajar. “Temos pessoas deixando de viajar por falta de acessibilidade. São pessoas e famílias que querem viajar, mas, infelizmente, o lazer ainda não é para todos. E lazer não é luxo, é saúde mental”, destacou.
Mais do que estrutura física
O painel chamou a atenção especialmente para a “acessibilidade atitudinal”. É como Amanda se refere às necessárias mudanças de atitude. Isso envolve o comportamento, o conhecimento e a preparação das equipes para acolher hóspedes com diferentes necessidades.
“O que precisamos hoje é de acessibilidade atitudinal, de mudança de atitudes. A deficiência não sai da pessoa, quem precisa mudar é o ambiente”, explicou Amanda.
A discussão também abordou a distância entre oferecer acomodações adaptadas e efetivamente alcançar o público que precisa delas. Segundo as painelistas, hotéis que capacitam seus colaboradores para a acessibilidade podem melhorar a experiência dos hóspedes e, ao mesmo tempo, ampliar procura, ocupação e rentabilidade.
Para o setor, a provocação deixada pelo painel foi clara: acessibilidade não se resume à infraestrutura. Comunicar adequadamente os recursos disponíveis, compreender diferentes necessidades e preparar as equipes são passos fundamentais para que um público disposto a viajar consiga, de fato, usufruir da hospitalidade.
Sobre as painelistas
Sheila Fátima Petri possui mais de 30 anos de experiência em hotelaria e gestão administrativa, com atuação em operações, liderança e eficiência operacional. Atualmente está à frente da gestão do Hotel Marambaia e é cofundadora de uma consultoria especializada em gestão hoteleira e administrativa.
Amanda Ribeiro é especialista em inclusão, autismo e turismo acessível e fundadora da Incluir Treinamentos & Certificação. Atua na capacitação de empresas e profissionais para o atendimento de pessoas autistas e suas famílias, especialmente nos setores de turismo, lazer e hospitalidade.
Patricia Marego Pacheco, mediadora do painel, é executiva de Recursos Humanos com mais de 20 anos de experiência em cultura organizacional, liderança e desenvolvimento. Atualmente está à frente da gestão de pessoas do Costão e é fundadora da Humany – O Novo RH.
