
A Reforma Tributária começa a sair do campo legislativo para entrar na rotina das empresas, e a hotelaria precisa se preparar para enfrentar as mudanças já em 2027. Durante o 37º Encatho & Exprotel, o painel “Reforma Tributária e os impactos reais para a hotelaria” reuniu especialistas para discutir como as novas regras devem afetar preços, fornecedores, fluxo de caixa e decisões financeiras dos empreendimentos.
Participaram do debate Gustavo Amorim, advogado e sócio do escritório Amorim e Pescador Advogados; Adilson Cordeiro, contador e sócio da Logos Contabilidade; e Ewerson Wiethorn, contador e diretor da Duatto Contabilidade. A mediação foi de Miller Bairros, gerente de Operações da Atrio e gerente geral do LK Design Hotel.
Um dos principais alertas foi para a necessidade de adaptar a operação às novas exigências. E os painelistas recomendam pressa, já que novas medidas passam a valer a partir de 1º de janeiro do próximo ano. “Operacionalizar vai ser a nossa maior dificuldade, entender como fazer”, destacou Ewerson. Entre as recomendações, ele orientou os empresários a revisarem clientes e fornecedores, estruturarem a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e, principalmente, planejarem o caixa. “Os empresários devem começar a montar seu fluxo de caixa, porque precisam saber quanto deverão ter disponível no ano que vem.”
Precificação e fornecedores
A formação dos preços também deverá receber atenção redobrada: será essencial compreender com exatidão o custo efetivo de cada operação, considerando a nova dinâmica tributária e seus reflexos na margem dos empreendimentos.
A escolha dos fornecedores foi outro ponto destacado. “Teremos que ter muito mais cuidado na escolha de fornecedores idôneos”, afirmou Miller Bairros, ao abordar os impactos que a regularidade da cadeia de fornecimento poderá ter sobre o aproveitamento de créditos tributários.
Para a hotelaria, a legislação prevê tratamento diferenciado, com redução de 40% nas alíquotas de IBS e CBS aplicáveis ao setor. Ainda assim, os especialistas reforçaram que a mudança exigirá análise individual de cada negócio, considerando custos, estrutura e regime tributário.
“A reforma tributária foi vendida como uma simplificação, seguindo um padrão em que tudo gera crédito”, contextualizou Gustavo Amorim. O advogado também abordou uma das principais mudanças conceituais do novo modelo: a tributação do consumo passa a privilegiar o destino, alterando a lógica de distribuição da arrecadação entre os municípios.
Para Adilson Cordeiro, não existe uma solução única que possa ser reproduzida por todos os empreendimentos. “A palavra de ordem é estudar uma legislação que está mudando. Não há uma fórmula mágica pronta que funcione para todos, mesmo quando exercem a mesma atividade”, afirmou.
A orientação deixada pelo painel foi para que empresários da hotelaria utilizem o período de transição para conhecer as novas regras, revisar processos e trabalhar em conjunto com as áreas contábil, financeira e jurídica antes que as mudanças produzam seus impactos integrais na operação.
