O futuro da hotelaria foi o tema provocativo de Peter Kentuchian e André Victória da Silva, na palestra “O fim da hotelaria como conhecemos”, para abrir a programação do 37º Encatho & Exprotel do dia 12 de agosto, quarta-feira. André levantou os aspectos técnicos das tendências para o setor, considerando que o hotel pode ser considerado como uma plataforma estabelecida em quatro pilares, além da hospedagem: gastronomia, eventos, wellness e experiências. 

Na visão dos palestrantes, as recentes inovações trazidas ao mercado não surgem com rupturas do zero, mas sim como aceleradoras de movimentos e comportamentos que já vinham se desenhando na sociedade. 

A relevância da inteligência artificial (IA) e da automação foi apontada como uma ferramenta de suporte para dinamizar processos operacionais, permitindo que as equipes se concentrem no relacionamento direto com o cliente. 

“A IA entra justamente para assumir o trabalho repetitivo, operacional e analítico, liberando a equipe humana para fazer aquilo que a máquina jamais conseguirá fazer: acolher com empatia, ler as emoções do hóspede e entregar uma hospitalidade genuína”, destacou André. Além disso, reforçou-se que o setor deve ser uma plataforma cada vez mais voltada ao bem-estar e ao propósito, considerando que o viajante moderno busca experiências transformadoras e maior integração com a cultura do local que visita. 

Ilustrando como esse conceito ganha força na prática, foram apresentados casos de empreendimentos no Brasil e no exterior que se reestruturaram para atuar como hubs comunitários. Peter, que trouxe sua bagagem de visitas a mais de 800 empreendimentos ao redor do mundo, defendeu que o hotel precisa se integrar organicamente ao ambiente urbano ao seu redor. “O hotel deve ser o centro da comunidade onde está inserido, abrangendo os dez quarteirões ao seu redor. Ele precisa trazer as pessoas para dentro — não só os hóspedes, mas os moradores do entorno. Afinal, se não houver um colaborador ali recepcionando com o coração, com a emoção e com o espírito de servir, não é um hotel”, afirmou Peter. 

Por fim, o debate trouxe à tona a necessidade de os empreendimentos adotarem estruturas físicas e operacionais flexíveis, capazes de diversificar as fontes de receita por meio de gastronomia atrativa para a cidade, eventos e opções de day use. Destacou-se também que a experiência da pandemia de COVID-19 acelerou essa necessidade de reinvenção e valorização da identidade local. Os palestrantes concluíram ressaltando que, embora a tecnologia atue como um elemento facilitador fundamental, o verdadeiro diferencial competitivo de qualquer hotel continuará apoiado na clareza do seu propósito e na qualidade das conexões humanas. 

Encatho & Exprotel 2026
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.