
Como parte da programação do 37º Encatho & Exprotel, na Sala Jurerê, a palestra “Como as indicações geográficas agregam valor à hotelaria”, ministrada por Bianca Antonini, destaca o papel crucial das Indicações Geográficas (IGs) na diferenciação do setor hoteleiro. Integrando o projeto Destino Sul do Brasil – Terroirs e Experiências (desenvolvido pelo Sebrae/SC em parceria com a ABIH-SC), a apresentação abordou como a valorização da gastronomia de origem, da cultura e da sustentabilidade regional transforma simples estadias em vivências marcantes. Em um cenário onde o turista contemporâneo busca autenticidade, o uso estratégico de produtos de origem catarinense em menus, cafés da manhã e kits de boas-vindas consolida-se como um fator chave para atrair e fidelizar hóspedes.
A especialista ressalta que criar uma identidade genuína exige compreender a singularidade de cada localidade e traduzi-la de forma sensível aos visitantes. “É muito fácil na hotelaria fazer uma identidade. Mas, isso não é fácil nas IGRs, pois os territórios são únicos. O local faz toda a diferença, pois tem o clima, a atmosfera e toda a experiência. Com o turismo conseguimos transformar essa experiência em memórias”, afirma Bianca Antonini. Ao conectar o empreendimento ao seu território, a hotelaria fortalece a identidade do destino e atende à crescente demanda por experiências autênticas.
A utilização de produtos com IG também se fundamenta no poder do storytelling hoteleiro e no valor inestimável de narrar a trajetória de quem produz. “O produto carrega a história do território, mas precisa falar disso com alma. Quando a gente chega num destino e uma pessoa pitoresca e típica fala conosco, dá mais vontade de conhecer o produto; esse é o storytelling hoteleiro”, explica a palestrante. Ao dar voz à cultura local, o hotel enriquece a jornada do hóspede, transmitindo o valor imaterial presente em cada item oferecido.
Essa convergência entre história, território e hospitalidade resulta em uma vantagem única e inalcançável para concorrentes de outras regiões. “O diferencial competitivo é impossível de replicar se for retirado em outro território. É criar um momento diferenciado”, conclui Bianca Antonini. Com Santa Catarina somando 12 Indicações Geográficas reconhecidas pelo INPI (como a Maçã Fuji de São Joaquim, a Linguiça Blumenau e a Banana de Corupá) e outras oito em estruturação (como as Ostras de Florianópolis), a integração dessas origens à hotelaria não apenas promove o desenvolvimento sustentável da economia regional, mas estabelece um padrão de excelência impossível de ser copiado.
